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Considerações sobre o zumbido

14 de março de 2018

Dra. Isabelle Pereira Soares Mariz

O zumbido ou tinido nos ouvidos é bem mais comum do que, a princípio, se possa imaginar, atingindo cerca de 28 milhões de brasileiros e 10-15% da população mundial, segundo dados obtidos em estudos recentes da Universidade de São Paulo.

Por tratar-se de um sintoma, não deve ser considerado como uma doença estabelecida, podendo representar um desequilíbrio orgânico temporário, com bom prognóstico de melhora, e até mesmo cura, quando identificada a sua causa. Deve, portanto, ser investigado, segundo os protocolos e consensos da literatura médica, descartando as patologias do metabolismo glicídico, dislipidemias, doenças vasculares, erros alimentares, anemias, alterações hormonais, doenças da tireóide, efeito colateral de diversos medicamentos de uso contínuo, alterações da musculatura cervical e crânio-facial, bem como distúrbios da articulação têmporo mandibular, como as mais frequentes etiologias, devendo, qualquer patologia de base, uma vez identificada, ser rigorosamente tratada pelo especialista.

O Tinnitus é a percepção de um som ou ruído (5% dos pacientes ficam incomodados), sem corresponder a um estímulo do ambiente, podendo ser descrito como um “som de cachoeira”, “motor de geladeira”, “apito”, “chiado”, “som de rádio fora do ar”, “batidas do coração”, “bater de asas de um inseto”, “som de zzzzzz”, “músicas”, “Hum venoso”, entre outros, cuja apresentação pode ser percebida continuamente, apenas em ambientes silenciosos, ou surgir em crises, com a possibilidade, ou não, de acompanhar-se de tonturas ou perda auditiva.

Encontrando-se associados a perda auditiva (90% dos casos) devem, necessariamente, ser avaliados como um subgrupo diferente dos demais, sem a tal disacusia. Sabe-se que áreas da cóclea (nas várias frequências do espectro auditivo) podem ser afetadas por diversos processos, seja do tipo fisiológico, como o próprio envelhecimento, ou patologias outras, que ocasionam danos celulares neste órgão sensorial, onde há transformação da onda sonora (mecânica) em onda elétrica, a qual será conduzida pela via neural às áreas auditivas centrais. Portanto, um “defeito” neste sítio pode promover disparos elétricos anômalos, os quais podem ser percebidos como zumbido, ocorrendo de modo semelhante ao tecido sensorial da retina, fazendo-se uma analogia, onde defeitos similares ocasionam visão de pontos luminosos ou moscas volantes por serem células responsáveis por estímulos visuais.

Existem diversas armas terapêuticas disponíveis para a batalha contra este incômodo sintoma, desde a orientação de medidas gerais com cuidados alimentares, preservação do sono, atividades físicas, lazer, terapia sonora, fisioterapia e psicoterapia, a terapias medicamentosas destinadas ao tratamento de cada subgrupo do zumbido (origem vascular, origem muscular, origem metabólica, com ou sem perda auditiva, labirintopatia, infecções nos ouvidos, etc.), obviamente, associadas ao tratamento da doença basal, como o (imprescindível) controle do diabetes, hipertensão arterial, dislipidemias e alterações hormonais concomitantes.

Isto posto, recomendamos ao portador de zumbido: Evite o silêncio absoluto; ouça a natureza; escute sempre as suas músicas (em volume razoável); cuide-se; exercite-se e alimente-se bem. Faça seus exames de rotina e procure um otorrinolaringologista para ajudá-lo na trajetória do seu tratamento. Boa sorte!

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