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Respiração do lactente

9 de abril de 2018

Escrito por Dra Hosana Silveira

Adultos e crianças devem, preferencialmente, respirar através do nariz, visto que ele atua no ar inspirado, aquecendo, umidificando e filtrando agentes nocivos. Quando há algum fator obstrutivo, faz-se uso da
respiração oral de suplência.

Em condições normais, a respiração neonatal tem particularidades especiais e diferenciadas em relação à dos adultos e de crianças mais velhas. Desde o período embrionário, o feto prepara-se para exercer as atividades de sugar, deglutir, respirar e chorar, que irão possibilitar sua sobrevivência ao nascer. Para tanto, possui reflexos orais, que garantem sua alimentação nessa fase inicial do desenvolvimento, e apresenta características anatômicas diferenciadas, que facilitarão a alimentação no período neonatal.

Durante a amamentação, a mandíbula se apoia sobre os seios lactíferos (onde o leite fica armazenado), e o bebê abocanha o mamilo e aproximadamente 2 a 3 cm de aréola (parte da mama). Na parte posterior da boca, a língua se eleva e funciona como um mecanismo oclusivo contra o palato mole (céu da boca), estabelecendo, assim, a pressão negativa dentro da cavidade oral.

Essa pressão mantém a mama dentro da boca do bebê, apesar de sua natureza retrátil. Desta forma, o mamilo e parte da aréola são deslocados para o interior da boca, facilitando a extração do leite e a deglutição. A mandíbula realiza um ciclo de movimentos para a extração efetiva do leite. Esses movimentos mandibulares trazem estímulos
importantes para o crescimento da articulação têmporo-mandibular e, consequentemente, para o crescimento harmônico da face do bebê.

Devido ao pequeno crescimento da mandíbula no período neonatal (retração mandibular fisiológica), a língua se apoia sobre a gengiva ou lábio inferior, numa posição anteriorizada e rebaixada, ocasionando um espaço
aéreo-faríngeo que obriga à respiração nasal, a qual ocorre em todo RN.

Essas diferenças anatômicas do RN são importantes porque o sistema oral infantil ainda não está tão estruturado e eficiente quanto no adulto para coordenar sucção, deglutição e respiração. Essa estrutura imatura das vias
respiratórias superiores dos bebês se transforma e atinge a maturidade completa entre os 13 e os 16 anos.
Além disso, nos lactentes, as estruturas anatômicas que compõe a via aérea também estão mais próximas – o palato mole está mais próximo da epiglote. Soma-se também, o ciclo nasal (fenômeno fisiológico e representa a alternância cíclica e rítmica de congestão e descongestão nasal) que nas crianças não está bem estabelecido, levando ao aumento da resistência nasal bilateral simultaneamente, sendo maior ainda essa variabilidade em recém-nascidos, podendo resultar em longos períodos de obstrução.

Devido a esses fatores e ao reduzido diâmetro das suas fossas nasais, qualquer obstrução do nariz do bebê irá provocar dificuldades no nível da respiração, alimentação ou sono. A obstrução nasal no lactente é uma queixa relativamente comum e geralmente motivo de muita ansiedade por parte dos pais, sendo, portanto, motivo de consultas otorrinolaringológicas.

Nestas, avalia-se, além de outros fatores, a presença de ruídos durante a respiração.

A produção de sons durante a respiração dos lactentes pode estar relacionada a vários pontos e fatores etiológicos. O estridor é um som produzido pelo fluxo do ar turbulento através da via aérea, o que geralmente pode ser desencadeado por algum fator que reduza o diâmetro desta.

Os sons respiratórios patológicos produzidos pelo lactente exigem atenção imediata e devem ser cuidadosamente avaliados. Devem-se observar o grau de sofrimento respiratório, incluindo dispneia, retração costal, grunhidos, apnéia e cianose, bem como dificuldade na alimentação para que possa ser definida a urgência do tratamento e da intervenção, os quais variam de acordo com o possível agente etiológico obstrutivo.

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